sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

SAC vs UFC


        Sistema SAC: Stones, Amigos e Cerveja. Combinação perfeita. Eu realmente precisava disso. A mistura parece simples, só que não. Cerveja é fácil, mas ter grandes amigos por perto e um som ao vivo de qualidade, às vezes nem tanto.
O hilário foi ter um elemento adicional aos ingredientes: UFC. Após executar “Miss You”, o vocalista da banda cover anunciou: “galera, daqui a pouco a gente para pra ver o Anderson Silva”. Como se fosse Galvão promovendo uma final de Copa: “é o Brasil em campo, amigo!”. Nessa hora me dei conta que todo o pub estava focado nas lutas preliminares da tal luta principal. Todos no aquecimento para o grande momento. Tocamos o foda-se e continuamos nossa festa particular. “Honky Tonk Women”, “Brown Sugar”, “Start me up” e cia. Então chega de alegria. É hora da luta, a atração da noite. O país do futebol parou a festa, o rock n´ roll ao vivo dentro de um pub, pra ver o sangue jorrar no ringue, que é chamado de octógono. Inclusive vai aqui uma proposta pra turma do Boxy: aposentar a palavra “ringue” e a partir de agora usar “quadrado”.
Ok. Sem música, vamos beber mais uma cerveja no balcão e decidir o que fazer. Deu tempo de tirar a cartela, fazer o pedido, receber a caneca, tomar o primeiro gole e - pimba: canela quebrada. Sou daqueles sujeitos que pregam respeito com a natureza, o mar. Acho que o jogador de futebol tem que respeitar muito o campo de jogo, assim como um artista deve fazer com o palco. O Anderson já havia desrespeitado muito o lutador americano. E como diria Murcy Ramalho, “a bola pune”. Neste caso “o ringue (ou octógono) pune” também. Melhoras pra ele.
       Mas será que nessa conta entrou a interrupção inconveniente do SAC? Isso não se faz. Com isso não se brinca. Sim. Eu sei. É apenas rock n´ roll, amigos e cerveja. Mas eu gosto!

       



terça-feira, 14 de janeiro de 2014

O Caos Celestial

     “Deus te abençoe e vá em paz, meu filho”, disse ao cristão da vez, pegando em suas mãos. Era missa das 9h de um quente e ensolarado domingo. O padre estava no altar recebendo seus cristãos, dando a benção do dia. Débora estava na na fila e foi se aproximando. Havia 5 ou 6 pessoas na sua frente. Nesse momento o padre já sentiu que havia algo diferente, uma energia com a qual não estava habituado a lidar. “Deus te abençoe e vá em paz, meu filho”, disse ao próximo da fila. Mas desta vez não o olhou nos olhos como de costume. Seu olhar foi para o horizonte da quente paróquia. Era o impulso daquela energia que pairava na atmosfera. Não conseguiu identificar nada anormal e seguiu: “Deus te abençoe e vá em paz, meu filho”, já mais displicente. A energia foi aumentando cada vez mais. Débora era a próxima. Ela caminhou ao encontro do padre com um pequeno sorriso, daqueles de canto de boca. Estava com as mãos juntas, com o pescoço levemente inclinado pra direita, fazendo com que seu olhar estivesse um pouco pra cima. Suas sobrancelhas finas ficaram um pouco para cima e seus cabelos loiros se misturavam com sua mini blusa vermelha, um sutiã branco de rendinha por baixo e os traços de seus seios.
     Naquele momento ele sentiu a tal energia que o perturbava. Parou o movimento constante das bênçãos de forma repentina, como se máquinas de produção em série da revolução industrial tivessem enguiçado no meio do expediente. Mas seu olhar não foi para os olhos dela, e sim para a ponta de seus cabelos loiros jogados na blusinha vermelha, no sutiã branco de rendinhas e nos traços dos seios. Sem perceber os detalhes, ele viu o conjunto da obra. Era como se estivesse contemplando A Noite Estrelada de Van Gogh na sua mais completa grandeza. Tudo ficou em câmera lenta, o tempo parou. Ele viveu cada milésimo daquele momento. Ela estava apenas a três passos dele. E caminhou de forma natural na sua direção para ter a benção como os outros cristãos. Mas pra ele tudo era diferente. Não era uma cristã qualquer. Tinha uma força, um impulso natural e igualmente misterioso. Cada um de seus três passos foram marcados. A Noite Estrelada brilhava, se agitava. O vermelho da blusinha se misturava com as rendinhas brancas, com o cabelo loiro e a pele clara. Os seios balançavam de forma suave e discreta, ampliando o movimento, em plena harmonia com os passos. De repente ela parou na sua frente e seus seios se puseram quietos. Ela passou a língua em seus lábios pequenos para umedecê-los e disse espontaneamente, baixando levemente o queixo no meio da frase: “sua benção, padre.”. No mesmo momento ele, que estava no degrau do altar, completamente mergulhado na contemplação daquela “noite”, levantou os olhos diretamente para os olhos dela, que pareciam estar ali já esperando tal movimento. Não houve nenhum chacoalho de cabeça ou algo como cachorro molhado depois do banho, nada que o mostrasse bestalhão. Foi um olhar preciso e objetivo. Firme. Mas não veio acompanhado de sua mão, que normalmente pede a mão do cristão para a tradicional benção. Débora não tinha nada de mulher fatal. Era simples, natural. Tinha uma espécie de doçura apimentada. 
     Apesar de ter saído daquele estado de transe ele ainda estava envolvido pela energia dela. Mas agora de forma mais consciente. Era como se estivesse, de uma certa maneira, percebendo seu inconsistente e tentando controla-lo. Seu coração batia cada vez mais forte. Talvez fosse o momento mais desconfortável de sua vida e, ao mesmo tempo, o melhor de toda ela. Pois estava em um terreno que nunca pisara. Ele então, ainda olhando para os olhos dela, titubeou e estendeu suas mãos, pedindo as mãos dela para abençoá-la. Ela ainda com um sutil sorriso de canto de boca, levantou levemente a sobrancelha esquerda. Nesse momento ele respirou fundo. Sentiu o vento do ventilador de parede da paróquia, ligado no modo rotativo, passar por ali. Parecia que acessava mais o seu inconsciente, descobrindo coisas novas sobre si. Sensações que o assustavam, mas de alguma forma eram boas. Ele respirou fundo novamente, o ventilador fez o caminho de volta, sentiu o vento refrescando o seu rosto, e então abaixou o olhar lentamente na direção das mãos dela. Neste percurso contemplou novamente aquelas cabelos loiros em cima da blusinha vermelha, que tinha por baixo um sutiã de rendinha branco. Mas agora não era mais o conjunto. No alto do degrau a visão da Noite Estrelada era diferente. Agora ele tinha o detalhe. Olhou profundamente o encontro dos seios dela. Viu os traços, o caminho de dois rios que se juntavam, e sumiam numa escuridão tentadora. Era o verdadeiro caos celestial. 
     Enquanto aproveitava cada milésimo daquele momento conscientemente, se encontrava mais com seu inconsciente. Vibrações, movimentos, desejos e coloridos que pareciam ser de outra esfera. Pela primeira vez em toda a sua vida sentiu de verdade a força do instinto humano. Viu de perto suas sombras, suas cobras. Estava navegando em mares nunca antes desbravados. Apreciava cada detalhe, cada sensação. Cabelos loiros, blusinha vermelha, sutiã branco de rendinhas contornando os seios. Quando sentiu um toque em suas mãos. Eram as mãos dela. Ele as apertou imediatamente com firmeza. Direcionou novamente os olhos para os dela e finalmente disse sem pestanejar: “Deus te abençoe e vá em paz”. Sem o tradicional “minha filha” no fim da frase. Ela manteve o sorriso de canto e boca e saiu. Num golpe cruel do seu instinto ali aflorado, ele se curvou para olhá-la de costas, ver seu caminhar de calça jeans escura, talvez rebolando, ou apenas se mexendo de forma natural com seus passos. Antes de se virar por completo cerrou os olhos com força, respirou fundo. Sabia que este olhar seria a consagração de um grande pecado cometido na frente de seus cristãos. Por mais discreto que fosse não iria se perdoar por tal ato. Mas o impulso de seu instinto era muito forte. Ainda de olhos fechados, sua mandíbula enrijecida provocava mais uma gota de suor no canto da sua testa. Muito confuso com tudo que passara, escutou uma voz a sua frente dizer: “Padre, queria muito a sua benção.”. Era um menino, de mais ou menos 15 anos, paraplégico. Repentinamente o padre abriu os olhos, os arregalou e disse meio esbaforido: “Deus te abençoe, meu filho. Que Deus te dê muitas bênçãos”.
         
           

           

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Padre João Batista


Onde é a urna? Eu voto nele. Pe. João Batista pra Papa. Se tem alguém nesse mundo que faz a igreja católica ter sentido é ele. Aquele que tem lâmpadas nos olhos. Quando era criança, menino novo, fiz curso de catecismo. Depois também o de crisma. Vim de uma tradicional família mineira, extremamente católica. Tinha que ir à missa das 19hs aos domingos, por que nunca ia na das 7 da madrugada, tão pouco na das 9hs. Era criança peralta. Queria jogar bola e brincar de pegadô na Cadivô, ou na ZecaLândia, como inovou Batista no seu sermão do último domingo.

Tenho uma pequena forte lembrança destes tempos de criança. Era dia de Galo x Botagofo, as 19hs de um domingo. Tive que ir à missa! A implacável Dona Cecília puxou o relatório de ponto daquele dia e viu que eu não tinha marcado presença pela manhã. Daí a casa caiu...Tive que largar tudo e ir à missa. Mas não me aguentada na igreja. Só pensava no Galo, e nos primos brincando, e depois no Galo de novo. Quando cheguei à Cadivó vi que o Carijó tinha perdido o jogo de 2 pts do Brasileirão. E pensei com peso na consciência: "poxa vida. Perdi o sermão do João Batista e meu Galo perdeu...". O tempo passava e eu crescia. Aos 15, 16, já tinha bacharelado e especialização nos quesitos católicos: batizado, 1a comunhão e crisma. A última teve uma etapa interessante em um retiro no colégio Dom Bosco, nas redondezas de Barbacena. Eu e meu primo Eduardo "tocamos o terror" na “concentração”. Subimos no telhado do colégio, acordamos os colegas, batemos nas portas diversas e tudo mais. Mas sem fanfarras em excesso. Tudo dentro dos limites, pois era um RETIRO. No café da manhã ouvimos os padres comentando amigavelmente sobre possíveis "gatos pretos" andando pelos telhados na madrugada. E haja coração para as palestras mil! Foi uma pescaria só. Sono. Muito sono! Mas no final foi divertido. Naquela idade não tinha muita oportunidade de viajar no fim de semana com amigos.

Após este período me afastei da Igreja Católica de forma natural. Vieram as viagens da escolinha do Tony, depois a faculdade, carnavais, a famosa boemia, trabalho de gente grande, responsabilidades, e por aí vai. Sempre fui respeitoso às religiões diversas, apesar de achar que não deveria existir nenhuma delas. Do período “pós-crisma” até aqui, minha relação com o catolicismo se resumiu à presenças em casamentos, batizados, momentos especiais, familiares. Digo isso em relação às missas, pois mesmo não sendo praticante, amo uma igreja católica vazia! Silêncio. Pé direito imenso. Imagens bonitas. Paz. Frequentei por muito tempo a da rua Espírito Santo com Afonso Pena, no centro de BH. Sempre que possível ia lá. Nos intervalos do turbulento cotidiano da telefonia. Tiradentes, Cusco, Ouro Preto, praça da Sé. A igreja que mais gosto é a de Trancoso, no quadrado. Ali é sagrado pra mim! Independente do que é dito nas missas e sermões, ou do que foi feito na inquisição, encontro paz em uma igreja vazia. Conecto comigo, com meus anjos, com meu Deus, com os espíritos de bem. Renovo minha fé, minha cultura. Sinto a energia dos meus avós. Colo os meus pés de ventosa no chão. Respiro com a certeza de quem eu sou, de onde eu vim e pra onde vou. Pratico minha gratidão. Em uma cidade grande é sempre bom ter uma igreja vazia para entrar e ouvir sua própria respiração. Faz bem pra alma!

Mas no último domingo entrei em uma igreja cheia, e em grande estilo. Celebração de 60 anos de casamento dos meus avós. Seu Zeca e Dona Cecília. No quinto passo eu já estava chorando como uma criança. Entramos todos os primos, netos, depois os bisnetos, crias diretas, agregados, etc. Não necessariamente nessa ordem. Nada de cerimonial. Tudo "à moda Viana". Em seguida o casal sessentão. Coisa mais linda de se ver. Amor. Muito amor. Uma família às vezes Buscapé, outras Corleone, parecendo ter sangue italiano nas veias, mas sempre ancorados no amor plantado por Zeca&Cecília. Quando começou a cerimônia, me dei conta que a mesma seria liderada pelo Pe. João Batista, aquele que eu gostava no período “pré-crisma”. E no mar de alegria da família Viana, na simples, pequena e simpática capela dos Angicos, havia outra família que acabara de perder uma pessoa. Ana Márcia deixou filhas...Era a profunda tragédia humana ao lado da alegria transbordada. Lado a lado, a vida e a morte. “Assim como é nossa vida”, explicou João. Como é culto! Tem sensibilidade. Soube celebrar a alegria de uma família e acolher a dor de outra no mesmo momento, no mesmo lugar. Além disso, nos contou o óbvio ululante, que nos negamos a enxergar: “o mundo moderno criou as novelas que roubaram nosso maior poder, o de imaginar”, disse João Batista. Depois de abençoar Zeca&Cecília, se dirigiu à família de Ana Márcia para dar também sua benção. João me fez voar, transcender. Mesmo sendo católico não praticante. Mas quem disse que tudo aquilo tem a ver com o catolicismo? O amor de 60 anos, a tragédia de uma família, as sábias palavras de um Padre, o pranto de dor ao lado do meu choro de emoção, tudo isso faz para de VIDA. Não de uma religião. É esta compreensão que o mundo precisa. Por um acaso aquelas histórias convergiam em um templo católico e ali reinava a compaixão, a celebração, o respeito da alegria para com a dor e vice-versa. E assim deveria ser em todas as esferas da vida, entre tribos e religiões diversas.

Mesmo tendo esta trajetória recente de distanciamento dos rituais católicos, ainda preservo hábitos milenares de tal religião. Sinal da cruz obrigatório sempre que passo em frente a uma igreja católica. Já tentei passar reto, fingir que não vi, pensar na oposição ao uso da camisinha, na inquisição, em frango com quiabo, sei lá! Mas não tem jeito. Fico inquieto até executar o ritual do sinal. Se eu morasse em Salvador poderia ter que fazer isso 365 vezes ao dia e pegar uma LER. Assim faço também antes das refeições, antes de sair de casa, de começar o dia. Ato mais consciente, uma prece por proteção, para demonstrar gratidão. Já é independente da religião. No carro o gesto é acompanhado de um leve toque em meu tercinho dependurado no retrovisor. Minha mãe que me deu de presente. De 11 crias da Zecolândia ela foi a primeira. Também a primeira a se casar na Igreja e também a se separar. Ela ganhou o tal tercinho de sua irmã, minha Bia Tia, que tem mais de 25 anos de casada. Bia trouxe o artigo do Vaticano. Sim! Do lugar pra onde João Batista deveria ir. Já tem meu voto pra ser o Papa dessa humanidade, a autoridade maior. Para que o mundo possa escutar o que escutei no domingo, e muito mais que é possível ouvir nas suas celebrações atuais ou ler nos seus livros publicados. Mas pensando bem, vou cometer aqui o pecado do egoísmo: Melhor mesmo que ele fique por perto. Pois se ainda existe um ser humano que faz ter sentido a ocupação dos ecos, do vazio tranquilizante e acolhedor de uma Igreja Católica, esse atende pelo nome João Batista Libanio, o nosso Padre Libanio, da paróquia N.Sra de Lourdes, lá de Vespasiano, Minas Gerais.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Meu texto foi escolhido...

...entre 348 enviados! Sobre Seleção Brasileira e times de coração.
Independente pra qual time o leitor torça, acredito que a identificação será grande.
Abaixo a publicação oficial no blog do Cosme e também do texto na íntegra.

blog do Cosme Rimole no R7:
http://esportes.r7.com/blogs/cosme-rimoli/2012/10/03/foram-348-respostas-um-atleticano-e-um-cruzeirense-conseguiram-resumir-muito-bem-o-que-o-torcedor-pensa-da-atual-selecao-brasileira-ainda-mais-diante-de-uma-partida-contra-o-seu-time-de-coracao-o-p/

Texto:

Ok. Meu pai viu o Tri, a antológica Seleção de 70. Mas ficou na geladeira um bom tempo...Mesmo sem ter vivido tais tempos áureos, me considero um privilegiado.
Minha primeira recordação de Copa foi o gol do Caniggia em 90. Mas vivi Romário e Ronaldo no topo. Em 6 Copas, vi o Brasil em 3 finais. Nada mal. Mas o aproveitamento não foi mais que 50% por pura incompetência de quem está à frente do nosso futebol. Parreira permitiu a fanfarra em 2006. E escolheram o Dunga, que nunca havia treinado nenhum time em toda a sua vida, para ir à Copa buscar o exa. O bom e velho Dunga, que me fez perder a voz em 94...Ninguém assume a presidência de uma empresa sem ter mostrado resultado ao longo da carreira.
Mas no futebol do Brasil é assim. Tanto que temos um treinador bi-campeão da segundona para liderar nosso time na Copa que vamos jogar em casa. Por que? Porque ele é "peixe" do diretor de Seleções, que é "peixe" do ex-presidente da CBF, que estava lá há anos. Os novos comandantes nada mais são que políticos de outra cúpula. Sem pulso e sem visão, deixam o barco navegar rumo à queda d´agua... Além do amadorismo que parece não ter fim, considero a Copa 2014 o apogeu da corrupção. Os países de 1o mundo usam suas potências para alavancar suas economias. Nós usamos o futebol para retardar nosso crescimento. Bilhões ao lixo...12 arenas para simbolizar a corrupção...Elefantes brancos serão pontos turísticos em ruínas, daqui a 100 anos...Uma espécie de Coliseu da corrupção.
Em 2007, meu pai foi sábio na seguinte frase: "Vão fazer a Copa aqui? Ninguém vai falar nada contra na mídia. Porque todo mundo vai ganhar com a roubalheira...". Na minha inocência, acreditava em um país melhor. Mas acabei ficando até sem time em campo pra torcer...
Respondendo à pergunta: Meu time é o Galo. Já venceu a Seleção brasileira. Aquela de Pelé. Foi no Mineirão, por 2x1. Acho que hoje venceria novamente, já que a fase é boa e até a África do Sul está tirando casquinha. E eu iria ao jogo pintado de preto e branco pra arquibancada, para uma luta simbólica contra um time "em formação", liderado por amadores e despreparados. Gritaria até perder a voz, como fiz pelo próprio Brasil em 94, 98 e 2002. Mas com outros versos: "Clube Atlético Mineiro, Galo forte e VINGADOR!". 



terça-feira, 11 de setembro de 2012

O Ruído Marginal

Sp. 17h30. Marginal Pinheiros. O ruído da avenida ecoa longe. É um zumbido sem fim. Na calçada em frente ao edifício uma mulher fuma com os braços cruzados. Ela bate pé no chão com impaciência. À sua frente, um homem de camisa polo listrada na horizontal, com uma das mãos no, bolso desabafa: "a gente está fazendo um trabalho burocrático aqui...". O barulho estridente do motor das motos é uma constante, acompanhado do "BIP BIP" de suas buzinas. Sai da frente! É o corredor bombando na alta. Na calçada uma multidão desenfreada segue a passos largos para a estação do trem. Pessoas olham em seus relógios, consultam SMSs e guardam coisas nas suas bolsas e mochilas. E sai da frente! O Trem vai passar. É um show de tensão. Sobrancelhas se encontram acima do nariz num constante franzir de testas. O som dos passos pesados da multidão alienada fica de fundo, complementando o zunido principal. É praticamente uma orquestra do caos. Enquanto isso, um velhinho de 1,62, vestindo camisa branca, com uma boina xadrez marrom na cabeça, caminha lentamente com a bengala na mão direita...com sua corcunda, arrasta a perna pela calçada desfigura, cheia de buracos e cimento mal acabado....parece estar em câmera lenta...........praticamente um ser do bem em ambiente hostil....ele observa lentamente o caos à sua volta...olha pra um lado...pro outro....e caminha...caminha.......De repente: "OLHA A POLÍCIA, TIO!!!!", grita um transeunte engraçadinho que vinha da sua direção contraria. Era o som de uma ambulância ao fundo, se aproximando aos poucos até causar conflitos no transito. Os carros abrem uma das pistas pra dar passagem. Buzinas mil. "Filha da Puta!", grita a motorista para o barbeiro do Celta que virou sem dar seta. No ponto de ônibus um cidadão de mochila nas costas observa tudo de camarote e cutuca seu nariz de leve. Outro com fones de ouvido está lendo uma revista em quadrinhos. Quando uma Kombi quebra a sua frente. Fumaça preta para o alto! Todos no ponto tapam o nariz. Uns com a camisa e outros com a mão. Uma mãe sai correndo arrastando seus dois filhos com gritos de desespero: VAI EXPLODIR! VAI EXPLODIR!".
Paira no ar o inconsciente coletivo: é a corrida pra sair do transito, chegar primeiro ao ponto, pegar lugar no metrô. Missões praticamente impossíveis. Mas todos querem seu lugar ao sol.
Enquanto isso, no horizonte enfumaçado, ele compõe com maestria a atmosfera turbulenta que reina na capital paulista ao fim de mais uma terça-feira. É o imponente Ruído Marginal.


sábado, 4 de agosto de 2012

Amy Winehouse: de onde veio e pra onde se foi?








Ah, Amy Winehouse...Peguei de supetão um especial de 3hs com shows e entrevistas. 1 ano sem ela. Bateu a saudade. Como era natural, verdadeira. Musicalmente e no seu jeito de ser. Uma cantora que se formou no jazz, e caminhou para o soul music. Mas também com uma atitude muito rock n roll. Em meio às belas letras e rebolados anti-poposuda, tomava seus tragos e conversava com a platéia com absoluta espontaneidade, como se estivesse em casa com amigos íntimos. Sem o mínimo pudor, não assumiu um papel de dar exemplo como "pessoa pública". Aprontava o que bem entendesse como se dissesse para as famílias: "eduquem vocês seus filhos. Não tenho nada com isso. Isso é problema de vocês.".

Amy se foi, mas deixou acesa sua chama, seu brilho. Seus olhos e sua voz transmitem verdade. É um grande contraste com os "ídolos" atuais. Como são falsos! Se escondem atrás da tecnologia, das estratégias de marketing. Usam playback nos programas de domingo, sampler nos shows. Quem hoje toca ao vivo, "na unha"? Poucos...Como nosso mundo anda careta. Desprovido do bom e velho som "sujo". Seja na distorção crua da guitarra ou na voz bêbada de um blues man. Infelizmente (ou felizmente) não vivi os anos 60. Mas o dia 15 de janeiro de 2011 representa muito pra mim: vi Amy ao vivo em um de seus últimos shows aqui na terra, em SP. 

Sua irreverente dança "quadrada" não é aquela dança xamã movida à mescalina dos anos 60. Os anos 2000 também não têm nada com o psicodelismo daqueles tempos. Mas com certeza Amy foi uma enviada daquela época. Com seu dom natural, trouxe de volta autenticidade, qualidade sonora, expressão e boa pitadas de porraloquisse. Talvez uma reencarnação que voltou para nos lembrar o quanto a música pode ser boa, com verdade e atitude. E o quão hipócrita anda nosso mundo, movido a modismos e falta de conteúdo. Pena que ela só viveu até os 27. A mesma idade de um certo cantor que se foi há 41 anos atrás. Seria a mesma alma?! Nos resta saber quando será próxima encarnação...







sexta-feira, 27 de abril de 2012

Como Roubar a Alma de uma Platéia


                                

Diana Krall. Uma jazzista canadense. Cantou Tom Jobim em um show no Rio. Eu não estava lá. Descobri vendo o filme "A Música Segundo Tom Jobim", que, inclusive,  recomendo para todos os fãs de música, independente do estilo.

Ela executou a famosa "Boy From Ipanema", versão em inglês de "Garota de Ipanema" para as mulheres da gringa cantar. Até aí, nada de mais. Afinal, Tom Jobim é um músico mundialmente conhecido. Certo dia recebeu um telefonema de um tal de Frank Sinatra. Frank queria gravar um disco com o brasileiro. Não preciso reverenciar a história de Tom. Quero falar do que Diana fez no segundo número Bossa Nova da noite.

Foi sensacional! Ela cantou "Esse Seu Olhar", em português. Como é gostoso assistir isso! O sotaque inglês impregnado nas frases da música em português, como se ela estivesse em Copacabana se esforçando para pedir uma informação turística na nossa língua. O semblante dela durante a canção transparece o quão prazeroso foi executar a música em solo brasileiro. Estou completamente encantado! Até o puxado "s" de carioca ela fez no trecho "Gosssssssta de mim, como eu de você...". Uma simpatia sem fim. Mordeu a língua como quem diz "...pessoal, conheço até carioquês!”. Irradiou talento. Criou uma atmosfera encantadora, de muita energia positiva. Mesmo vendo pelo youtube, é possível sentir. Um esplêndido encanto natural. Tudo isso com muito respeito pela nossa música e pelo nosso país. É assim que se rouba a alma de uma platéia!

Diana Krall - "Esse Seu Olhar"


Diana Krall - "Boy From Ipanema"