domingo, 10 de agosto de 2014

Salve 6 e 16 de Julho

Hoje, segundo domingo de agosto de 2014, devo reverenciar outras datas. Em um 6 de julho de anos atrás a cegonha trouxe ao mundo o meu pai. E há 3 semanas, em 16 de julho,  a mesma cegonha (acompanhada pelo ET) trouxe também o meu filho Gabriel.

Meu pai é funcho, feijão sem bicho. Veio dos confins da pacata Buenópolis, e Curumataí, no norte de Minas. Nasceu pelado e hoje está vestido. Desceu pra Curvelo (ou Corinto, nunca sei muito bem), Sete Lagoas, desbravou Vespasiano e repousou em berço esplêndido na bela Lagoa Santa, sua terra desde que me entendo por gente. Serviu à aeronáutica por 8 anos, ficou preso 1 dia por causa da revolução, já trabalhou em açougue, ciscou de cá e de lá, tocou sax na banda da cidade, foi um talentoso canhoto na ponta esquerda do clube de Sete Lagoas, aprendeu a dar 500 toques por minuto na máquina de escrever, sem errar! Viu a máquina de fax chegar ao Brasil como a grande inovação do ano e ajudou a Cemig a crescer com mais de 30 anos de trabalho duro. Também se formou em direito, sem perder uma aula sequer, e foi o primeiro Presidente da OAB na Subseção de Lagoa Santa. Cumpriu 2 mandatos com maestria e excelência. Hoje figura como grande saxofonista desse Brasilzão. Escrever fatos sobre meu herói é simples. Difícil mesmo é dizer o Pai que ele foi, e sempre será pra mim.

Ele é casca grossa. Sempre foi. Me ensinou a valorizar o que tenho e a ter garra para batalhar pelo que quero. Com ele aprendi a comer salada antes do prato principal, a cumprimentar e me despedir das pessoas em todas as vezes que chego ou saio de um lugar. Me ensinou o que é honestidade, e que nesse mundo nada se consegue de graça. Quando eu nasci com meus pés tortos, necessitando de um tratamento especial para poder andar, ele teve que vender o seu fusca para não ser obrigado a trancar a faculdade de direito. E a vida deu voltas e esse mesmo fusca está hoje na garagem da nossa casa. Não acredito em coincidências. Acho que a vida nos dá de volta o que damos a ela. E com certeza meu Pai recebeu sempre o que ele deu de bom pro mundo, sobretudo para os filhos. Talvez hoje eu esteja começando a entender o 6 de julho, por causa do 16 de julho.

El...El...El...Gabriel...E ele veio. Como diria o poeta: “a vida não pede licença, nem muito menos desculpa.”. A vida simplesmente acontece. Quem sou eu para dizer o contrário? E ele chegou. Um feijão sem bicho, como o avô. Jamais poderia imaginar que meu dia dos pais de 2014 eu seria um dos protagonistas do dia. Acordei diferente. Como tenho acordado em todos os dias desde 16 de julho passado. Gabriel repousou em meu colo pela manhã. Cochilamos juntos, ainda na cama. Depois troquei sua fralda e o trouxe para a sala. Ficamos escutando vinil juntos. Comecei a lhe mostrar uma das melhores coisas do mundo: a música. Ele ouviu atentamente, e sorriu muito em Don’t Let Me Down dos Beatles. Tomei café o observando e mergulhando nos seus olhos profundos. Olhos de quem está começando e ver nosso mundo. Cheio de mazelas, é verdade. Mas extremamente excitante de se viver. Sei que ele vai tropeçar, aprender e se decepcionar com esse mundo cada vez mais maluco. Mas também tenho a certeza de que vai adorá-lo e aproveita-lo em cada momento, cada instante. Ele vai ser o grande autor de uma linda obra, que será sua própria vida. Eu, como protagonista de hoje, estarei sempre por perto. Não só como um grande apoiador e incentivador, mas também como o principal espectador. Tudo que aprendi com o 6 de julho será usado no 16, e vice-versa. Sinto uma conexão muito pura com ele. Algo mágico, eterno e muito belo.


Sigo assim. Vivendo todos os dias com o amor de “6 de julho”. Agora ainda mais forte com o “16 de julho”. Pai, te amo. A você só tenho que mostrar minha eterna gratidão. Filho, você ainda não lê. Mas não importa. A gente se entende de outra forma. E vê se cresce logo pra gente andar de bicicleta...



2 comentários:

Unknown disse...

Sensacional Muranguinha! Você escolher a arte e a arte(Biel)te escolher! Esse é o fruto da vida!
Abração, felicidades novamente pelo teu re-nascimento e beijos na família!

Raquel Ribeiro Brant disse...

Você tem o dom de escrever! E, em cada novo texto, se supera cada vez mais! Textos emocionantes, que saem, bem lá do fundo, como se tivesse a experiência de uma pessoa mais velha,em uma pessoa tão jovem! Dizer que adorei é pouco, talvez maravilhada e emocionada traduza um pouco melhor! Bjos....